
Athos Bulcão é considerado um dos grandes artistas modernos brasileiros. Suas criações manifestam-se nas áreas de pintura, desenho, gravura e fotomontagem, além de ter realizado mais de trezentos trabalhos de integração da arte com a arquitetura. Sua carreira inclui diversas exposições individuais e coletivas. Colaborou com o arquiteto Oscar Niemeyer em projetos de integração da arte com a arquitetura, no Brasil e no exterior. Igualmente intensa tem sido sua colaboração com o arquiteto João Filgueiras Lima, em Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza e São Luiz. Em Brasília, está representado nos principais edifícios públicos como, por exemplo, nos relevos da fachada do Teatro Nacional, nos painéis de azulejo do Congresso Nacional e da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, nos painéis do Palácio Itamaraty, do Panteão da Pátria e do Hospital Sarah Kubitscheck, na capela do Palácio da Alvorada, entre muitos outros. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1918, no bairro do Catete. Deixou o curso de medicina no 3º ano, em 1939, para dedicar-se ao exercício da pintura. Nessa época, entrou em contato com os pintores Carlos Scliar, Enrico Bianco e Roberto Burle Marx. Expôs, pela primeira vez, no Salão Nacional de Belas Artes, Seção Moderna, em 1941. Obteve o Prêmio de Isenção do Júri, em pintura e desenho. Conheceu o arquiteto Oscar Niemeyer, em 1943, que lhe encomendou projeto para os azulejos de revestimento externo do Teatro Municipal de Belo Horizonte. A obra ficou inacabada e os painéis não foram realizados. Fez sua primeira exposição individual, de desenhos, em 1944. A mostra inaugurou a sede do Instituto de Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro. Em 1945, trabalhou, como assistente do pintor Candido Portinari, na execução do painel de São Francisco de Assis, na Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte. Estagiou no atelier do mestre, no Rio de Janeiro, até o final do ano. Sua primeira exposição de pintura foi realizada em 1946, também na galeria da sede do Instituto de Arquitetos do Brasil. Obteve bolsa de estudos do governo da França, em 1948. Seguiu para Paris, onde freqüentou o atelier-livre da Academie de la Grande Chaumière. Em 1949, recebeu Menção Honrosa (Premier Mention) em concurso na Cité Universitaire, que teve como júri: André Lothe, Dennys Chevalier, Emmanuel Auricoste e Marcel Grommaire. Participou do álbum "Dix Artistes de l'Amerique Latine", organizado por Carlos Scliar, editado pela Maison de L'Amerique Latine. Retornou ao Rio de Janeiro, em 1950. A partir de 1952, trabalhou no Ministério da Educação e Cultura, no Serviço de Documentação, onde colaborou com Simeão Leal. Desenhou capas e ilustrações para livros, revistas, catálogos, discos; desenhou figurinos para teatro. Realizou suas fotomontagens, de 1952 a 1954, sendo pioneiro, desta técnica, no Brasil. Em 1955, iniciou-se uma efetiva colaboração em projetos do arquiteto Oscar Niemeyer, quando realizou os azulejos externos do Hospital Sul América, atual Hospital da Lagoa, projeto referencial da arquitetura moderna brasileira. Desde 1958 vive em Brasília, tendo feito uma intensa colaboração com os projetos do arquiteto Oscar Niemeyer realizados na nova capital brasileira. Seus primeiros trabalhos, em Brasília, foram os painéis do Brasília, Palace Hotel e da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. Em 1960, inaugura-se a nova capital, Brasília. Seus trabalhos de integração arquitetônica passaram a estar presentes em todos os projetos de Oscar Niemeyer. Fez seus primeiros trabalhos de colaboração em projetos do arquiteto João Filgueiras Lima, em 1962. Participou da equipe da Universidade de Brasília, lecionando no Instituto de Artes, de 1963 a 1965, quando participou do movimento de protesto que culminou com a demissão coletiva de mais de duzentos professores da Universidade de Brasília. Em 1967, realizou sua primeira exposição individual em Brasília, de pinturas, organizada pela Fundação Cultural do Distrito Federal, na Galeria do Hotel Nacional. Em 1969, recebeu, do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil, o título de sócio benemérito, pelo alto nível de seu trabalho de integração das artes com a arquitetura. Entre 1971 e 1973, colaborou com os projetos de Oscar Niemeyer no exterior, na França, Itália e Argélia. Expôs os objetos da série Máscaras pela primeira vez, em 1975, em mostra individual na Galeria Múltipla, Brasília. Em 1978, foi realizada em Brasília, exposição com o panorama geral de sua obra, homenagem organizada pela Cultura Inglesa. A partir de 1979, intensificou-se sua participação em exposições coletivas e individuais, no Brasil e no exterior. Foi nomeado representante da região Centro-oeste no Conselho Nacional de Artes Plásticas, com mandato de 1981 a 1983. Em 1988, foi reintegrado à Universidade de Brasília pela Lei da Anistia. Lecionou no Instituto de Artes até sua aposentadoria, em 1990. Recebeu, do governo brasileiro, a Ordem Rio Branco pelos serviços prestados à cultura do país, em 1989. Em 1990, recebeu, do governo do Distrito Federal, a Medalha Mérito Alvorada, pela sua contribuição na consolidação de Brasília. Recebeu homenagem da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Artes, do Conselho Nacional de Pesquisa, em 1991. Em 1993, foi criada em Brasília, a Fundação Athos Bulcão, para a qual fez a doação de seu acervo e arquivo. A fundação foi lançada com a realização de mostra Retrospecto, no Palácio Itamaraty. O Museu de Arte de Brasília apresentou exposição sobre sua obra de Integração de Arte e Arquitetura, em 1994. No mesmo ano, participou da mostra Bienal Brasil Século XX, organizada pela Fundação Bienal de São Paulo. Em 1996, recebeu, do governo brasileiro, a Ordem do Mérito Cultural, em cerimônia no Dia Internacional da Cultura. Recebeu, também, o Diploma de Reconhecimento do Instituto dos Arquitetos do Brasil, departamento do DF, por sua obra em prol da arquitetura nacional. |
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